quarta-feira, 12 de maio de 2010

mestrandando


Recuo citação direta a 4 cm da margem esquerda, a mesma onde empurro início de parágrafo por 1,25 rumo à direita, desencostando-o do limite de 3. A distância entre linhas precisa obedecer 1,5 cm, abaixo e à direita, 2.
Dai-me régua para agüentar, ó Senhor.
Quebrei várias páginas no intuito de montar os papéis que me fragmentam. Descubro a referência do apud do apud do apud e percebo que as mais antigas raízes não passam de brotos de galhos verdes. Nem mesmo o Criador se absteve de referenciar (NADA, - æ, sem pg.).
Alimento meus parágrafos de frases inteligentes, muitas vezes repetitivas, me escondo por detrás de autores no esconde-esconde da imparcialidade. Não se enganem: todas as palavras possuem seus donos e ainda não proclamaram a República das Letras, onde os donos virariam representantes temporários.
Saúde, comunidade, hegemonia, comunicação, sociedade padecem em masmorras cientificamente construídas, razão por razão, referência por referência. Se não me engano nem liberdade escapou das algemas. Apenas uma delas pode ser vista tomando sorvete na esquina, à paisana, lambendo bola de chocolate. Possui o poder da onipresença, da infinita abstração de desviar dos chatos quando assim a apetece; a casa de máquinas dos sonhos, a fazedora de silêncios. Ela, a poesia.
Mas preciso mudar o número de folhas na ficha catalográfica e extirpar os sublinhados das referências eletrônicas.

5 comentários:

  1. As amarras da Dissertação.
    A ciência pré-formatada, tradicional, mansa.
    Inquietação e questionamento em embalagem previsível, incolor.
    A missão de evitar críticas dos reacionários e dos revolucionários.
    Tudo em prol dos que sabem.
    Enfim, receba sua medalha de Mestre.

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  2. Se diz errado ou diz certo...
    De certo que dissertar desconcerta!

    rs...

    (Muito lega!!! Ainda não cheguei na parte de contar os centímentros... mas estou me preparando!)

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  3. São (é vc não é?), após termos entrado na faculdade, e até hoje, venho me perguntando se a máquina opressora da medicina lhe desse uma folga, o quanto que seus escritos poderiam também fazer bem à humanidade. Enfim, gosto de como você escrivinha. Aquelas poesias da adolescência já davam o tom do seu talento. Pena que temos que escolher caminhos, mas o confortante é que nessa vida encruzilhada não falta... Resumindo: cadê seu blog?

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  4. Alice, acho que graduar tb desconcerta, na sua ode normatizadora de reprodução do conhecimento europeu ariano, sem nem se permitir ouvir como faziam os "dominados" antes de existir a universidade nas terras coloniais, evitando a mestiçagem, a antropofagia. Sempre de cima pra baixo, do gênio para o ignaro, e tudo baseado na obsessão civilizatória de progresso a qualquer custo. Um progresso que possui vários avanços, mas que ancorado numa base econômica capitalista, é produtor de miséria, guerra e destruição do planeta. Pronto, Desabafei. Valeu o comentário, tava precisando... Ah, vá afinando a régua, e respirando fundo... Valeu.

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