segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Garça

quando as raízes são arrancadas
quando o mundo subterrâneo das plantas
se encontra com a planície dos homens
quando a vida se enche de terra
quando o ar se turva de barro
quando a cozinha e suas facas
as salas e seus cristos
escoam pelo ralo do descuido
quando a vertigem diante de tudo perdido
provoca um incômodo diante da canção

Ela pousa
sobre os papéis rasgados
à procura de frases soterradas
muitas desgarradas de suas letras
outras, afogadas de lama
sem direito a reticências
nem pontos finais

Ela pousa sobre esse barro de palavras
e transmite a certeza do amanhecer

Um comentário:

  1. Lindo! São os pequenos lampejos de esperança que fazem o dia seguinte ser possível.

    ResponderExcluir