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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

De passagem por Reinos distintos

A vida, algumas vezes, nos traz de bandeja, num par de dias, aprendizados sob situações tão opostas que no fim da aula você fica matutando os porquês. Sexta-feira, numa Ipanema radiante, fiz figuração para uma cena de pôr-do-sol; sábado pela manhã, aterrisei num pós-guerra de uma Teresópolis virada pelo avesso.

Foram 40 minutos da estação São Francisco Xavier à praça General Gozório em Ipanema. No carrasco verão carioca, não se deve titubear entre ônibus e metrô. Uma questão de saúde pública: o próprio metrô precisa estar em clima de inverno e banhado em protetor solar para se prevenir desidratação, câncer de pele e excesso de comentários sobre o calor entre os passageiros.

Atravessando a praça, onde existe um leão de bronze olhando para o ceú, rumo ao calçadão da Vieira Souto, me veio novamente àquela sensação maravilhosa de me sentir turista na cidade onde vivo. Foi como se, ao atravessar os portões, AÇÃO!, figurantes tomam o set de assalto que se estende do posto 8 até o Arpoador: o cara do quiosque entrega um côco sorrindo, bicicletistas de viseira jogam água na testa e depois chacoalham a cabeça sem deixar cair os óculos, um gringo já de pele vermelha gesticula depressa e fala alto numa língua que apostaria ser alemã ou holandesa, já o nativo de Ipanema tenta se equilibrar sobre uma corda bamba presa entre dois coqueiros, os bebês recebem o carinho da troca de fraldas nos estandes de madeira, e lá vem a linda garota que passa. Tudo isso com pedidos eufóricos do diretor em garantir um sentimento de entusiasmo, otimismo e natural alegria diante do cenário perfeito que pipocava no fundo de cena. A montanha, o céu e o mar de Billy Blanco e Jobim contracenavam numa atuação impecável com o ator principal, Ele, o mega popstar Astro-Rei que se ia escondendo por detrás dos Dois Irmãos sob os aplausos dos banhistas.

Chego ao Arpoador, o show já havia começado, gente vindo do banho de mar, crianças na corcunda dos papais, e mais pessoas iam se acumulando para curtir as canções do Mombojó no palco da Oi FM. Não tenho CDs da banda e não me lembro de ter escutado uma música toda sequer. Confesso que o pouco que havia conhecido não tinha me agradado e realmente não entendia a causa de tanto auê em volta deles, porém mudei minha opinião ao ponto de chamá-los de Bombojós. O que vi foi uma banda amadurecida, numa integração linda de se ver; honestidade artística, sem firulas, verdade de palco, arranjos bem bolados, escapando felicidade por entre as músicas. Algumas, inclusive, o Felipe S não conseguia cantar, pois a platéia dominava as letras em altos pulmões. Na saída, a caminho do mar, sensação confortante em ver famílias resistentes ainda curtindo uma prainha à noite sob os holofotes da orla. Feliz por papai do céu ter diminuído uns 3 graus da calefação, e por estar me encaminhando pros braços do meu bem, para contar-lhe minhas aventuras e de como são Bombojós.

Mas aventura mesmo estava por vir a partir do instante em que eu, mais 2 médicos e uma psicóloga entramos no ônibus das 8h30m com destino a Teresópolis. Havíamos nos alistados como voluntários na área da saúde. Lá chegando, percebi que o Centro não havia sofrido fisicamente com o desastre, mas se percebia no semblante das pessoas uma insônia devido a pesadelos. Antes, no caminho, da janela do ônibus que subia a Serra dos Órgãos, vendo aquele vale imenso de se perder a vista, imaginei o ano de 5011, todo aquele acidente geográfico coberto pelo oceano atlântico e um mergulhador boiando exatamente em cima do Dedo de Deus, o homem borbulhava oxigênio e gritava sob a acusação divina: - Mas não fui eu!

Se não foi ele, quem foi que matou mais de 800 na pior catástrofe natural do país? Não sei se quero saber agora, pois D. Socorro*, de 85 anos está sofrendo de uma falta de ar que a impossibilita de acabar a quentinha fornecida pelo abrigo de uma escola no distrito de Vieira, para onde nós fomos acionados em missão pela prefeitura. Moram 65 pessoas, muitos estão com a casa condenada, outros viram metade do lar escorrendo rio abaixo e alguns perderam tudo e todos.

Vieira parece um canteiro de obras, as pessoas não cansam de trabalhar, cavando terra, retirando entulho e construindo parede, você chega a pensar que a cidade está sendo construída, até quando você observa que no meio dos entulhos há sapatos e pedaços de roupa, e acolá casas iguais aos de documentários de cidades bombardeadas pela guerra.

D. Socorro, assim como seu filho José, são analfabetos. Moravam sozinhos numa casinha na beira do rio. José ganhava um trocado capinando roça alheia. Pela gravidade do estado físico de sua mãe, decidimos levá-la para o posto de saúde mais próximo, que era longe, pois o posto de Vieira também fora remoído pelas águas. Para encurtar a história, o que me surpreendeu foi a decisão do filho em não progredir com a mãe no itinerário de uma emergência mais equipada, pelo fato de haver uma sórdida ameaça a lhes rondar: a casa deles tinha sido uma das poucas que, apesar de semi-destruída, estava de pé, e José se sentia muito temeroso em relação á fragilidade da corrente em sua porta.

Saqueadores estavam à solta, e o fogão, televisão, geladeira, cama, cadeira e mesa resumiam o muito do pouco que eles tinham. Partir para uma emergência, mesmo que fosse ao centro de Teresópolis, aliada à chance de D. Socorro necessitar de observação por toda a noite, fizeram José assinar o termo de responsabilidade e retornar com sua mãe doente para uma Vieira ainda mais adoecida.

Além da poeira formando um manto de neblina marrom, através da janela do carro, presenciei cenas semelhantes: amigos e familiares acolhendo o sofrimento de homens e mulheres totalmente perdidos em interrogações sem respostas. Segundo uma moradora antiga, para 2h de chuva causar um prejuízo infinito só pode ter sido um “tsunami pluvial”.

D. Maria quando se sentou na cama de madrugada, sentiu uma pequena correnteza lavando seus pés. Acordou prontamente a filha, que disse estar seminua, foi apanhar uma colcha no guarda-roupa para cobri-la, ouvi um estrondo e já estava automaticamente, esperneando sob a lama, sendo dragada pelo rio e seus destroços. Foi lançada contra uma pedra, sobre a qual escalou se ralando por todo o corpo. Quando conseguiu ficar de pé, foi só se acocorar e pegar pelos braços a sua filha que vinha na mesma correnteza. Estavam vivas e passaram um bom tempo abraçadas e rezando alto em cima da pedra que havia se transformado na Ilha dos Milagres.

Apesar de toda essa catástrofe, cabe bem ressaltar que os sobreviventes de Teresópolis estão na raça e na coragem que lhes restam empenhados na reconstrução do território e voltados à solidariedade aos mais vitimados. Em cada abrigo, lideranças resgatam forças do desconhecido para cadastrar famílias, coordenar as doações de roupas e medicamentos, administrar a cozinha e servir de interlocutoras entre o abrigo e os órgãos oficiais. Em meio ao caos, é triste ouvir de uma das lideranças, por exemplo, que a secretaria de educação vem ameaçando tomar a escola de volta. A luta não deve terminar tão cedo, e à medida que as redes de rádio e tv se distanciam, a necessidade de ajuda vem crescendo, como já era de se esperar.

Voltamos ao Rio exaustos e calados. Foi quando percebi que na véspera eu estava rindo à beira do mar, e um trecho da canção do Bombojó não me largava: “esse é o Reino da Alegria...”. Pois que cresça por sobre aquelas serras, ainda que bem verdinho, um longo manto de esperança, que irá cobrir e sarar as feridas dessa gente que, por hora habitante do Reino da Tristeza, possui a coragem quixotesca de enfrentar batalhões se preciso for para garantir uma nova era e retornar ao reino de origem, o Reino da Beleza.

* nomes fictícios para pessoais reais

terça-feira, 18 de janeiro de 2011


O mais importante é não perdermos esse olhar...
Principalmente depois das chuvas.
riocife.blogspot também ama a região serrana.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Para quem não conhece, esse é Julian Assange. Por causa dele e de alguns outros, certamente, não estamos mais na Idade Contemporânea. http://www.ted.com/talks/view/id/918

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Preciso escrever sobre Noel



Fui a um debate com João Máximo sobre Noel Rosa, produzido pelo projeto Toca-Livros, na Caixa Cultural do Rio (www.tocalivros.com.br). E me dei conta que escrevo pouco ou quase nada sobre esse, carinhosamente falando, safado que foi o Noel de Medeiros Rosa.
O meu primeiro alumbramento que tive com Noel se deu graças à gloriosa e potencialmente revolucionária inter-netch. Precisamente em outubro de 2005 venho passar a primeira temporada em Vila Isabel, temporei dois meses inesquecíveis numa república anárquica de estudantes – como sempre deve ser - “A Robertinha”, na rua Jorge Rudge.
Em poucos dias percebi que Noel era uma referência constante no bairro: nome de túnel, de shopping, de casa que conserta roupa (“Com que Roupa”), estátua, busto, e uma coisa ímpar que acho que não existe pareia no mundo: as calçadas da avenida principal do bairro são copacabanamente desenhadas com partituras, não só de Noel, mas de compositores chaves para o samba carioca. Então, para se ter uma idéia, dá para se pular de uma mínina para uma semínima e solfejar uma melodia. Descobri dia desses que o repertório das canções calçadadas foi escolhido pelo Almirante, amigo de Noel e líder da primeira e única banda que Noel participou: o “Bando de Tangarás”.
Mas voltemos para como foi minha descoberta, simples e retamente: comunidade Noel Rosa no Orkut (http://www.orkut.com/Main?hl=pt-BR#Community?cmm=51164). Claro que já conhecia os clássicos, mas só. Meses antes estava encafurnando numa loja de discos e fiquei hipnotizado por um box de Noel chamado Noel, pela primeira vez, 229 canções originais, 14 cds. Custava mais de 500 reais e fiquei a ver navios na orla da penúria.
Um belo dia nas ondas das madrugadas, quando parecia mais uma vez que dormiria chateado com o desperdício de tempo de navegagem, abro despretensiosamente a comunidade Noel Rosa do Orkut. Numa das enquetes estava escrito Noel pela primeira vez. Resultado: varei a noite chupando wma de originais e não acreditando no poder de solidariedade embutido nos seres humanos que de vez em vez é extravasado nessa rede de peixe grande. O cara que comprou por mais de 500 pratas o tal Box estava disponibilizando para o mundo uma raridade da história da música na América Latina, e um outro cara numa lanhouse da comunidade do Borel estava tendo a possibilidade igual a minha de estar dominando o mesmo material.
Dos 14 cds disponibilizados baixei primeiramente 6 para o meu pen drive que serviu como trilha sonora durante a temporada na Robertinha. O que me chamou de imediato a atenção era no sistema rudimentar de gravação da época, que dá a impressão de estarem gravando ao redor de um único microfone pendurado no teto de um quarto.
Para 1930 era a coisa mais moderna que poderia existir: o sistema de gravação elétrico e, posteriormente, a difusão via rádio, o que seria analogamente hoje uma sensação semelhante às redes sociais. Gravar música nessa época para a geração de Noel não passava mais do que uma tiração de onda, raros os que ganhavam alguma coisa com canções e venda de discos, a música popular não havia sido ainda devidamente apropriado pelo capital.
Outra coisa que me impressionou no material era a teatralidade das canções do Noel. Favor conferir Quem dá mais?, A.B. Surdo e Não tem tradução. Pensei de imediato num musical, liguei para uma amiga cantora, o projeto ficou chocando por 4 anos, até que ano passado conseguimos formar um conjunto Rosa da Vila, de onde saíram ótimos arranjos para violão para canções como João Ninguém, Positivismo e Feitiço da Vila. Os ensaios eram aqui em casa, tive o prazer de construir amizades com músicos maravilhosos. A banda se desfez, mas neste ano, 2010, através de um contato inesperado fui me aproximando de um grupo de teatro amador da UERJ junto com o qual estarei encenando o espetáculo Rosas de Noel no próximo 14 de dezembro às 19h no Teatro Noel Rosa, da UERJ.
Para além da propaganda do espetáculo, preciso escrever sobre Noel...
Noel foi para o samba, digamos, uma entidade meio Exú misturado com Dionísio, tanto o mensageiro entre o céu e a terra – entre o morro e o asfalto – quanto o deus da farra.
Subir morros, se misturar com pessoas de outra raça e de outra classe no início da década de 30, para um bairro classe média do Rio, era no mínimo uma ousadia. Noel foi o primeiro branco classe média na música popular a romper com as barreiras de raça. Isso numa época em que se pesquisava comparativamente crânios e outros segmentos anatômicos entre raças distintas para se explicar caráter, boa índole e personalidade; uma época de franca ascendência do eugenismo, anti-semitismo e fascismo na Europa.
Outro feito de Noel que o faz, segundo Sérgio Cabral, “não necessariamente ser o maior compositor de sua época, mas sem dúvida o mais importante”, era no que tange a feitura do conteúdo de suas letras. Segundo o biógrafo João Máximo, não existia até então em música de meio de ano – música “séria”, que não seja de Carnaval – temas como pobreza, fome, mentira, bonde, credor (prestamista) etc. Noel exalava cheiro de rua, transformava em samba tanto manchete de jornal, quanto histórias contadas pela massa que perambulava pelas noites do Rio.
Essa nova maneira de letrar melodias rocambolou a história da música popular. É fato que na década de 50 houve uma enxurrada de sambas dor de cotovelo, mas depois disso esse tipo de feitura iniciado com Noel ganhou mais e mais adeptos. Bob Dylan provavelmente foi um deles...
Noel se foi aos 26 com a danada da tuberculose, morreu tamborilando a escrivaninha da cama na mesma casa onde havia nascido de parto difícil. 100 anos de nascimento serão comemorados no próximo 11 de dezembro.
Dia desses passando por um dos poucos chalés que ainda restam na Vila, imaginei o Centro Cultural Noel Rosa, onde os meninos dos Macacos e da Mangueira poderiam cursar teatro, música, cinema etc. O dono falou que estava quase que fechando com uma imobiliária, mais um arranha-céu estaria sendo planejado. Contei essa história pro João Máximo, que desapontado confessou que havia tentado algo semelhante junto com o Martinho da Vila, o projeto auspicioso tinha a assinatura de Oscar Niemeyer e seria construído na quadra da Escola de Samba do bairro. Entretanto, ganância e politicagem barraram o projeto.
Noel, dentre outros talentos, foi presenteado com o dom da profecia:
Quanto é que vai ganhar o leiloeiro
Que é também brasileiro
E em três lotes vendeu o Brasil inteiro?
Quem dá mais?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sarrabulho




Uma amiga veio me contar que foi à praia de Boa Viagem pela primeira vez. Não pude me conter em derramar na rede o que sinto de saudade e crueldade diante desse mar de assombro onde me batizei.

Abriram-me as portas com uma festinha na extinta maternidade do Derby – meu pai chegou a pagar hospedagem no quarto da enfermaria ao lado, onde eu mamava na mamãe, com a finalidade de saborear com sua gang o “xixi do neném”. Útero-loca-quentinha deixado pra trás, me levaram para o Edf. Monte Carlo, rua dos Navegantes, Boa Viagem, bairro onde me hospedei até concluir as faculdades mentais de medicina aos 27.
Primeiro fui doutor de amostramento em mergulhação – uma foto clássica na década de 80 evidencia um pequeno ser alienígena paramentado com roupa de neoprene, faca de caçador submarino acoplada à batata da perna esquerda, e relógio medidor de profundidades abissais em pulso direito prestes a adentrar no mar defronte ao velho e bom Acaiaca. A pixação “OS SURFISTAS” na fachada desse prédio iria me servir, anos mais tardes, como sentido e bandeira do movimento de mar em que fui fã de carteirinha com foto.
Sol, chuva, Natal, São João, nada me detinha na saga de calcular na seção de “tábuas da maré” do Diário de Pernambuco as horas em que eu deveria, com meu primo-irmão Lula, me aventurar nos swells da Pipeline recifense. Nas férias do Santa Maria comparecíamos na religiosidade da parafina em dois horários no mesmo dia: no mar seco inchando treinávamos longe do crowd as marolinhas para pegarmos, digamos, estofo surfístico; à tarde ou noite nos aventurávamos nos cachalotes. Sarrabulhos, gritos desesperados dos mais experientes “Aê, aê, aê...” eram corriqueiros nessas empreitadas hang loose em que sonhávamos na materialização das imagens Fluir do Tom Carrol, Tom Curren e Kely Slater, heróis genuínos do nosso movimento sebastianístico havaiano.
Quando Hugo Esteves, do NE TV 2ª- edição, anunciou o primeiro ataque do Tigre, meu pai, que assistia comigo ao noticiário, deu-me um tapa na perna e uma mordida no beiço: nunca mais, viu, caboclo! Daí em diante, Surf no Havaí e Caçadores de Aventuras me passavam despercebidos nas prateleiras da Videosom, soluços de maresia nessa época me eram frequentes.
Curei a primeira ressaca amorosa nas areias da Boa Viagem, onde me detive por longos minutos a meditar raiva e lágrimas até, num impulso passional, arremessar mar adentro um objeto sobre o qual havia projetado mau presságio e condecorado causador simbólico de todo o sofrimento da partilha: uma caveira em miniatura que havia adquirido no Piratas do Caribe na Disney de Orlando anos atrás. Em matéria de amor, essas mesmas areias testemunharam porres de paixão, mas acho ótimo que areia é mineral mudo que não aprendeu mímica.
O primeiro pedido de fera UFPE 2000 de medicina foi banho de mar com roupa e tudo. Se um pai de santo, eu ainda menino, estava correto em me dizer que sou filho de Iemanjá, careceu do sobrenome: Iemanjá da Boa Viagem. Em tudo que é aperto ou largura em minha vida lá vou encher a mão em concha nas águas de mainha. Antes do árduo caminho à Morada da Paz para os funerais do meu velho Bibi, via-se, à luz do dia, um ser tristonho de cuecas indo pedir a bênça à Iê Iê.
No meu último ano de BV, resolvi, num ímpeto inconsciente de saudade, que deveria correr na areia e, ao final, me presentear com mergulho. Consegui me despedi à altura apesar dos arranha-céus.
Nos anos que correm, venho me deliciando com mainha muito de vez em vez, quando costumo pedir bênça e refazer votos de batismo, mas moro no Riocife, terra-água que me faz transitar nos sarrabulhos marolentos da saudade.