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terça-feira, 3 de maio de 2016

nascido

Palavra rebenta quando quer. Nasce tanto em lençol de guardanapo, quanto num berço de papel esquecido.

Palavra que transborda gofa letra, sai se derramando em frases.

Não quero buscar dados em bancos, nem ajustar o método à pergunta. Não vejo sentido em traçar argumentativos caminhos de ida rumo a mim mesmo. Não tenho pretensão em pôr gravatas em pingos do i.

Prefiro acreditar que papel em branco é terreiro sagrado guiado por todas as incertezas de um universo que acaba de ser parido.

Possuo um único objeto direto: amar. Sou um dogmático escancarado a seu dispor, nego-me veementemente a ser argüido nesse ponto. Questionar meu deus dissílabo seria o velamento. O último a-deus.

E nunca fui de apostar na pirraça da maldade.
Corram para amar, ou melhor, parem e amem. amém. E que assim seja.




domingo, 21 de outubro de 2012

O amor no meio de todos os queijos



Pra Lulu e
Ibrahim Ferrer

à espera de um talharim à 4 queijos
o amor no meio de todos os queijos
tentando nadar
de peito mussarela
um crau roquefort
um reino de costas
uma borboleta gorgonzola

uma piscina cheia de azul
no cinza do Malecón
na câmera lenta da saudade
me sinto seco
mesmo mergulhado em você

yo nunca me olvidaré
dos fins de tarde
do nosso começo
mormaço que ninava
nossa vontade de deitar
e do sol
que nos pintava de vermelho