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terça-feira, 19 de março de 2013

a mulher e o girassol

ela poderia andar numa laje da Vila Cruzeiro
numa miragem no deserto de Israel
prestes a cair num bueiro de uma avenida
beira-mar qualquer

poderia ser minha tia, uma querida
mesmo sem ser querida
ser a covardia de enganar
alguém com uma flor
ser a própria alegria
a cotovia daquele poema

ela deveria voar
alguns quilômetros de azul
ultrapassar o teto do dia-a-dia
sua flor virar ventilador
motor de lanche
turbina de ônibus espacial
qual o quê?

ela saiu do metrô abraçada à flor
passo a passo de cuidado
e a flor girassol acenou:
amarelou, amarelou

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

sur

no Prata sigo o leito
me derramo em ti
sol penetra foz
pintando céu
farol de nós
gira-luz da nossa história

estrelas nos salpicam
afora meteoros calados
se banham
sonham de lado

nosso sonho
sacramentado
embebido de tannat
se esparrama numa pedra de sol
como leão marinho
respeitando tempo

acordo a lua
invento o sol
inverto o sul
do nosso norte


Eu e Lu
Colonia del Sacramento
novembro 12 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

"em cada conto se aumenta um ponto" (Ruben Franca)

olhem o que descobri:

lendo o poema Teu Corpo Claro e Perfeito, do Bandeira http://cseabra.utopia.com.br/poesia/poesias/0612.html

fui procurar de onde vem esse "pomo doirado"

e, como tenho formação cristã na juventude, fiquei achando que o Colégio Santa Maria se esqueceu de me ensinar sobre mitologias, e o quanto que um elemento de mitologias pode ser deturpado à mercê do interesse.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pomo_de_ouro

Fiquei pensando, será que a mitologia de Eva e a maçã era a mesma antes de o Império Romano oficializar o cristianismo?

domingo, 21 de outubro de 2012

O amor no meio de todos os queijos



Pra Lulu e
Ibrahim Ferrer

à espera de um talharim à 4 queijos
o amor no meio de todos os queijos
tentando nadar
de peito mussarela
um crau roquefort
um reino de costas
uma borboleta gorgonzola

uma piscina cheia de azul
no cinza do Malecón
na câmera lenta da saudade
me sinto seco
mesmo mergulhado em você

yo nunca me olvidaré
dos fins de tarde
do nosso começo
mormaço que ninava
nossa vontade de deitar
e do sol
que nos pintava de vermelho

Lua de bruxos

Pra Rosinha

Totó é bruxo de língua cansada
Onde está desenhada cada palmo
de uma Terra sem Sul

Abana tempestade encanta janela
Que voando se esfarela
No sonho da moça partindo
pro azul

simbora,
Espantalho

Te solta da cruz
encruzilhada é lido:
razão jazera

Nu, palhas queimado
Cambaleia juízo
Engata estrada
Dança em busca
Medo emboscado

Fogo do tempo, ponteiro incendiado
Amolecendo horas
Totó, o bruxo, decola
no escuro
Seguindo o chamarado
Do Leão

Escondido por detrás da lua
Tremendo sombra
desafinada a garra
Que canta, simula
uma coragem de rei

Caminho sem vinda
No canto sussurra Totó,
o bruxo de língua cansada:
A vida é de lata
A morte é prova de juba
Crescer é se desfazer de palha





domingo, 19 de agosto de 2012

em garrafos

a linha vermelha, radial oeste, agamenon magalhães, avenida brasil e domingos ferreira

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

mingo

entre a fumaça da chaminé de um navio

e a fumaça brasa da carne

existe um domingo, uma baía de delícias

e Angenor Cartola regendo marolas


tive sim vários domingos

fumaças de domingos com toalhas floridas

à sombra do tamarineiro

"a sorrir eu pretendo levar a vida"

mesmo quando as pedras não pareciam se acostumar

com a brasa

churrasco de pedra

que se esfriava

com a alvorada


morro de beleza entre fumaças que me brasam

nas cinzas do que eu sinto

na fogueira inevitável da memória

que ainda arde



22 de julho de 12
linda tarde de inverno
maracangalha das motos
aterro do flamengo